Uma nova liderança feminina ressurge após 200 anos (século XIX), quando uma mulher, Princesa Isabel, dirigiu politicamente nosso país, tendo até, por decisão política, sancionado a Lei Imperial n° 3.353, de 13 de maio de 1888, conhecida como Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil. Agora, passados dois séculos, outra mulher assumirá a direção política do país, sendo a primeira mulher eleita Presidenta, pelos votos de 55.752.529 (56,05%) de brasileiros, que depositaram confiança no projeto político que vem sendo executado no Brasil, ao longo desses oito anos, pelo governo LULA. Esta sumária reflexão deve ser feita, independente, de posição política; devendo ser ressaltado, tão somente, o reconhecimento de que houve mudança, para melhor, na qualidade de vida dos brasileiros. É bem verdade que muito ainda se precisa fazer, como no caso do melhoramento do IDH (envolve três aspectos: riqueza, educação e expectativa de vida ao nascer), do Brasil que, hoje, encontra-se na 75ª posição, estando atrás de países como Chile e Argentina. Nesse espectro ainda precisamos evoluir muito, principalmente, no aspecto EDUCAÇÃO, que é a raiz de solução para as demais necessidades. Entretanto, olhando para a história do nosso povo vemos, claramente, que muita coisa mudou, principalmente, a renovação de esperança por dias melhores, devido à diminuição do número de pessoas abaixo da linha de pobreza e, isso se deve ao Governo LULA.
Mas, a vitória de Dilma Rousseff não é fruto do acaso, nem de um frisson político, levado pela emoção ou apenas, por moda, por colocar mais uma mulher no Poder. Não é isso. O povo é soberano, quando emite sua voz, nas urnas e, por isso, devemos respeito à vontade popular. O reflexo nos resultados das eleições de 2010 é fruto do modelo de gestão e de políticas públicas implementadas que conduziram o Brasil a um patamar de respeito entre as principais potências mundiais. Oportuno, também, lembrar que a vitória da nova presidenta não seria concretizada, se não fosse o apoio do grande, ou talvez, do maior estadista que o país Brasil já revelou, até o presente momento; não olvidando as grandes contribuições implantadas por outros políticos, como no caso dos ex-presidentes: Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e, por que não falar em Fernando Henrique Cardoso, que iniciou um modelo econômico, o Plano Real, que foi aprimorado pelo governo LULA; esse é o diferencial do governo LULA, que soube manter o que havia de bom, como no caso da equipe técnica do Banco Central, do governo FHC e, ainda, trouxe para comandar, como Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, à época, filiado ao PSDB; mas, convidou-o, unicamente, por ser competente para exercer aquele cargo e isso se deu a duras críticas das alas mais conservadora do PT.
Outras ações foram aprimoradas e modificadas, a fim de atender o projeto político arquitetado, como aconteceu com a Bolsa Família, de modo que o Brasil deu um salto em sua qualidade de vida. Não se esquecendo dos projetos de infra-estrutura fomentados no Governo Federal, que vem aquecendo o segmento da construção civil, devido a diversas obras executadas por todo o país, proporcionando um sem número de empregos. A verdade é que fica sem trabalhar, no trecho, quem não quer pegar no batente, pois empregos existem. Não se esquecendo, também, do grande número de concursos públicos, que aquecem a competitividade salutar, pela busca de uma vida economicamente estável, ofertada em decorrência do exercício do serviço público. Isso também foi produzido pelo Governo Federal.
Mas, como o governo vindouro será de Dilma Rousseff, e não de LULA,
esperamos que a nova Presidenta, que possui, aparentemente, uma personalidade forte e pessoal, marque sua história, com a história do Brasil, com atos benéficos para o povo brasileiro, a exemplo do ato de coragem da Princesa Isabel - como aconteceu no passado; pois a Presidenta eleita terá grandes desafios e precisará de pulso e coragem para fazer as reformas necessárias, como a política, tributária e agrária. Ademais, esperamos que a sensibilidade e a visão de política humana existente, em Luiz Inácio Lula da Silva, estejam presentes durante o novo governo; este desejo simplifica, na minha visão, a vontade do povo brasileiro, pois investir no ser humano, significa fomentar melhores condições de vida, quando no implemento dos Direitos Fundamentais, neles incluindo, os Sociais e a luta pela preservação do meio ambiente, na busca pelo mundo sustentável, e para que isso ocorra, não devemos esperar que tudo seja feito por única e exclusiva responsabilidade do Poder Público, mas precisamos como cidadãos, dar nossa parcela de contribuição, pois a união faz a força; e para que possamos, ao fim do mandato da Presidenta Dilma Rousseff, olhar para trás e dizer: sim, valeu à pena. Precisamos acreditar.
Jean Roubert Félix Netto
Professor da UNEB
Professor da FASETE
Analista Judiciário do Tribunal de Justiça da Bahia