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Professor Nery

Professor Nery

26/07/10  05h45m

Novos Horizontes na Educação Brasileira

A sensação é que os professores "insatisfeitos" começam a ver despontar novos horizontes na educação brasileira. Já era hora! Foi preciso que a situação batesse no mais fundo do poço para que houvesse condições - e aceitação - de novas propostas. Doce hora de doce vingança para os que sofreram o achincalhamento e o desprezo contínuo dos aproveitadores da moda, aliás, dos modismos passageiros que, de fato, deixam para trás consequências deletérias.
 
Os mecanismos de aferição das várias escolas brasileiras pelo Ministério da Educação produzem resultados reveladores. As escolas mais bem sucedidas são as que mais preservam e cultivam atos salutares tradicionais: envolvimento da família, maior tempo dos alunos na escola, aulas de acompanhamento (tutoria), maior preocupação da direção da escola com os aspectos pedagógicos [do que com os aspectos administrativos]. As aferições mais recentes indicam melhores resultados nos colégios militares e nas organizações religiosas onde a disciplina, o trato mútuo e o ensino são cultivados; não caíram de cotação. Ensino pressupõe processo educativo dentro de parâmetros concertados e mantidos por todos os atores do processo. O ensino recupera, desse modo, o valor que poderia não ter perdido ao longo dos últimos anos.
 
A Unesco, órgão das Nações Unidas, preconiza como princípios fundamentais da educação o aprender a conhecer, a fazer, a viver e a ser que vêm a ser a formação integral do ser humano. As pressões para que isto aconteça deve-se ao fato de ter aumentado a competitividade do mercado de trabalho que se torna cada vez mais qualificado.
 
O MEC responde propondo aumento de carga horária do ensino médio em 25%, prática em laboratórios, maior carga de leitura com ênfase na formação cultural do aluno. O pessoal do MEC parece voltar a reconhecer que cultura tem valor prático, ou seja, o indivíduo que tem cultura produz mais e melhor.
 
Vale notar que a poposta do Ministério recomenda que o aluno escolha as atividades escolares de sua preferência em 20% da carga horária. Quem não se lembra do horror de ter que ler compulsoriamente um determinado livro indicado pelo professor? Eu era um adolescente que se sentava após o banho para ler o jornal A Tarde trazido todos os dias pelo meu pai embaixo do braço. Lia e relia sua coleção do Tesouro da Juventude. Mas tenho que confessar que odiava ter que ler compulsoriamente o livrinho escolar prescrito pela minha professora!
 
Há que se considerar os vários tipos de inteligência que são modulados com as vivências do aluno. Desse processo resulta a transformação do conteúdo em saber. Como resultado vem a libertação, a produção, a socialização, o bem-estar e a felicidade.
 
Ouvi recentemente de alguém que muitos líderes parecem querer complicar o evangelho que é muito simples, claro e direto. Lembro da resposta de Einstein ao ser solicitado a esclarecer de uma vez por todas a teoria da relatividade. Assim respondeu: - Há uma enorme diferença entre dois fios de cabelo na cabeça de um careca e dois fios de cabelo num prato de sopa.
 
O MEC está acordando. As famílias começam a reconhecer a intermediação imprescindível da escola - e dos professores. Começa a  ficar claro que a maior riqueza de um país não são as suas reservas naturais e sim o nível educacional dos seus cidadãos. Países completamente desprovidos de riquezas naturais estão inseridos entre os mais ricos do mundo. Esses países reconheceram de início o valor de se investir em educação.
 
O Brasil já poderia estar no patamar de primeiro mundo. Chavões ridículos de políticos demagogos atrasaram o desenvolvimento do país sob a manta de um nacionalismo passional. Acreditamos que alguns eram sinceros no seu cuidado com os recursos do país. Perdemos umas duas décadas preciosas para a inércia.  Amamos o Brasil e queremos ver o seu desenvolvimento para o bem de todos nós. Isto só acontecerá com trabalho e educação responsável de alto nível. 


 
Francisco Nery Júnior





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