O deputado Mário Negromonte Júnior se preocupa com o pão dos baianos. É para se preocupar mesmo! O pão é fundamental. Quando menino, não sei se mais agora, também não sei se a idade tem me tornado menos observador, via trabalhadores chefes de família, ao final de mais um dia de trabalho, entrar nas suas casas com o embrulho do pão embaixo do braço. Às vezes o papel chegava com uma mancha de suor, o mesmo suor responsável pela aquisição do pão.
Se o pão é indispensável na mesa dos brasileiros (não só dos baianos), nada mais natural - e importante - o deputado se preocupar com a composição da massa. Pois é, jovem deputado, o pão de milho, uma delícia da infância de nós, mais velhos, anda desaparecido das prateleiras das nossas padarias. Seria a causa o costume inconsciente de imitarmos sempre o que vem de fora (o pão de trigo)? O que é "nacional" é sempre inferior? Seria isso?
Certo, caro deputado, só comer pão feito de trigo importado da Argentina é, no mínimo, falta de bom senso. Pão feito de milho, mandioca, ou outro amido qualquer é uma delícia, vale a pena repetir. Pão feito de milho evita a saída de reservas do país. Pão feito de mandioca valoriza o nosso sertanejo; leva-lhe um pouco de renda.
Pedra pequena é que sustenta alvenaria. A alvenaria que sustenta a Cidade Alta, atrás do Elevador Lacerda, sem um único vergalhão de aço, é mantida firme, forte e centenária pelas pedras pequenas. A seca no Império Romano, já disse algumas vezes por aqui, era amenizada por pequenas barragens império afora.
Pelo exposto, quero crer, Mário Júnior foi de uma felicidade extrema ao levar para o debate a composição do pão dos baianos. Teve a coragem de arriscar ser chamado de ingênuo, novato, verde ou inconsequente. É com esse povo que contamos. São eles que farão sempre diferença. Pela porta estreita, poucos entram. Acho que o Mário entrou pela porta certa.