Os melhores amigos são os das horas incertas. Ouso dizer que seu Nicolson foi meu amigo na hora incerta. Foi porque foi. Encontrou-me numa das esquinas de Paulo Afonso e fez um comentário sobre os critérios para a concessão do título de Cidadão de Paulo Afonso que muito me honrou. Ele já contava com a honraria e nada autoriza alguém pensar que estava lavrando em causa própria. Pronto. O fato foi narrado e creio que o fiz sem cabotinice.
Lembro seu Nicolson na Chavepe. Não me lembra nunca tê-lo encontrado sem bom humor. Para mim, era o retrato do empresário perfeito. Depois que li os livros de Lee Iacocca, esta convicção se sedimentou. O meu fusca era novinho. Era ele que me levava pra lá e pra cá Paulo Afonso afora. Tinha chegado há pouco tempo na cidade e o meu fusca eram as minhas pernas. Um dia, vindo de Salvador (não havia aprendido ainda com Domingos Bastos que não se divide pedra na estrada), uma pedra acertou o meu cárter. Ficou vazando óleo. As avaliações dos técnicos da Chavepe eram sombrias. O meu fusquinha teria que voltar para São Paulo em cima de uma carreta, o preço do reparo seria astronômico, a minha brincadeira estava estragada.
Seu Nicolson resolveu o problema com Araldite, a cola mágica das donas de casa do todo o Brasil. Rodei mais 36 anos com o fusca, que continua a rodar na mão de outro felizardo sem pingar uma única gota de óleo, graças ao bom senso empresarial de Nicolson Chaves. Ele fez, por força da sua capacidade de pensar, o que os livros recomendam sobre a resolução de crises: buscou primeiramente a solução mais simples, senão a mais óbvia.
Pelo exposto - e por muito mais que não cabe em uma crônica de um site -, é com enorme satisfação que vejo o nome de um pioneiro de valor cedido ao Polo Industrial de Paulo Afonso da mesma forma que o via desfilar com um capacete de peão na Getúlio Vargas nos dias de Sete de Setembro.
Francisco Nery Júnior