Eu havia me cansado de comprar calças jeans standard - padrão em português. O jeans padrão é a nossa farda. Uma camisa simples por cima, um tênis também padrão e estamos prontos para ir à rua. O nosso clima é quente, felizmente seco, e nada de imitar moda da Europa; muito menos moda americana. O mau gosto americano é conhecido em todo o mundo sendo salvo da condenação total pela música. Inglês não é uma língua silábica e serve melhor à melodia do que o português. Disse que havia me cansado. Havia mesmo é me abusado de comprar uma calça e vê-la desmilinguida logo após a primeira lavagem. Entrei em uma loja e fui logo dizendo que queria uma calça cara. No meu juizo (havia arrazoado por longas horas comigo mesmo), o preço da calça - agora mais que o dobro da calça padrão - seria garantia de durabilidade. Não foi. A minha calça cara se desintegrou do mesmo jeito que as anteriores. Deixei de comprar calças em Paulo Afonso. As de Salvador duram muito mais.
O espaço está aberto para os entendidos explicarem a razão da diferença. Alguém poderia entrar na nossa querela e resolver o enigma. O local de fabricação faria diferença? Seria isto? A propósito, tenho calças compradas nos Estados Unidos há muitos anos em perfeito estado de me levar para festas ou recepções. Vamos aguardar que um perito em tecidos e roupas - e temos bons peritos na cidade - nos explique esta dúvida.
Comprar em Paulo Afonso é um prazer. Deixar boa parte do preço em impostos que vão melhorar ainda mais a nossa cidade é confortante. Não deixa de ser um exercício de cidadania. Não sei se o leitor observa, não sei se se sente bem, não sei se agradece a Deus morar em uma cidade confortável, bonita, limpa e promissora. O que estou dizendo só aumenta a responsabilidade dos nossos gestores. Nós - você e eu - elogiamos, ou simplesmente constatamos avanços, com o intuito de cobrar. Estamos crescendo. Estamos nos consolidando como polo de desenvolvimento. Estamos atraindo atividades produtivas. Temos royalties da Chesf. Então, temos que ser diferentes - para melhor. E somos melhores. Antes de o meu leitor discordar, aquele que discorda (e é bom que exerça o direito de discordar), recomendaria uma olhadinha nas cidades vizinhas. Vá descendo até Salvador e compare. Repito que temos que melhorar. Argumento que devemos fazer de tudo para manter padrões de diferença como o fato de não termos favelas na nossa cidade. Assim sendo, queremos todos contribuir para o meio circulante da cidade. Quero dizer que devemos comprar em Paulo Afonso.
Qual seria a margem de lucro praticada pelos nossos empresários? Os livros não recomendam nada superior a 20%. Querer a independência econômica, com carros e casas muito acima dos padrões locais, com menos de cinco anos de estabelecido, não é o preconizado pelos teóricos. Os japoneses se deram muito bem se contentando com prazos superiores a dez anos. A prática de preços menores sedimenta o investimento. Temos impostos exorbitantes e uma confusão fiscal de dar dó. Mas o melhor crescimento é aquele que vem nos tempos de adversidade.
Na realidade, temos verificado maior compatibilidade de preços entre a praça de Salvador e de outras cidades grandes do Nordeste e a praça de Paulo Afonso. Temos visto novos negócios se instalando por aqui com a mentalidade de estimular o máximo possível o giro da economia. Estoques têm que sair, dinheiro tem que girar e a melhor maneira de isto acontecer é baixando os preços.
O leitor está ficano cansado. Não quero ser pesado e vou parando por aqui. Após um dia duro, quem sabe, ele gostaria de alguma coisa mais leve. Ninguém é de ferro. Estas considerações talvez fossem melhor tratadas nos gabinetes e nas associações. Mas tenho quase certeza que a maioria concorda comigo. O que todos queremos é o melhor para a nossa cidade. É simplesmente uma questã de bom senso.
Francisco Nery Júnior