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Professor Nery

Professor Nery

31/07/12  23h07m

Curiosidades da Língua

Escrevendo para um site local, coloquei o acento em Petrobrás. O copydesk (revisor) me chamou a atenção que, sendo Petrobrás uma sigla, não deveria ser acentuada. Ponderei que, como professor de português, não escreveria Petrobrás sem o acento na sílaba final por amor aos nossos alunos, da mesma forma que não escreveria Pitu com acento, por se tratar de grafia registrada com o acento agudo no u. Poderia até escrever Maisena com z ou usar o particípio [passado] pego do verbo pegar. Fui ao dicionário on line (estava na frente do computador) e este registrava Petrobrás com acento e sem acento. O nosso copydesk é atento e competente, mas acho melhor serviço aos estudantes de português escrever Petrobrás e Pitu (desta forma).

Foi uma delícia agradecer às jovens garçonetes de Cabo Verde (onde se fala português) com um doce obrigado, rapariga. Rapariga por lá (como em Portugal) significa apenas moça; donzela. Você vai ouvir frecha por flecha, aluguer por aluguel, projetil por projétil, cousa por coisa. Eles também mantém o c  antes do t em palavras como facto e contacto. Não estão tão na onda de "simplificar" como nós outros. Interessante que os estudantes sempre louvam a simplificação da nossa ortografia. Eles parecem se esquecer que as regras convencionais da escrita facilitam a compreensão do textto pelo leitor. Em outras palavras, as regras de acentuação, pontuação e ortografia procuram facilitar a leitura e a compreensão do texto, e não complicá-la.

Logo na chegada, ainda no lobby do hotel, uma participante do grupo de brasileiros sentiu algo diferente no ouvido ao escutar a expressão mais pequeno pela atendente caboverdiana. Pois é, mais pequeno e mais grande são possíveis no português de Portugal, concomitantemente com maior e menor.

Para encerrrar, o crioulo de Cabo Verde usa a expressão pá mode, parente próxima do pro mode do nosso sertão. Nosso sertanejo, ou caboclo, ou jagunço usa parabelum, adjutório, por causa que, palavras e expressão do português culto (do italiano).

Creio termos dado um passeio pelo nosso vernáculo que você pode aprender e usar bem lendo bons autores e consultando a gramática e o dicionário de vez em quando. Vale sempre lembrar que quem não lê, mal fala, mal ouve e mal vê ou, ainda, que o discurso é a arte do convencimento. Ao falar bem, o indivíduo ganha, vence, se impõe, sai de situações embaraçosas, faz amigos.

Francisco Nery Júnior


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