"Fredson foi muito importante na minha carreira, agradeço a família dele de uma maneira estupenda, foi uma pessoa que me ajudou muito. Ele sabe que eu não cuspi no prato que comi, que eu nunca fui de fazer isso, mas a banda já não tava rendendo quanto poderia render."
Redação
Em entrevista esta semana ao Programa Tribuna do Povo - Rádio Betel FM, 104,9, André Marreta da Banda Marreta é Massa falou sobre a relação pagode/igreja, o adiamento de sua apresentação no Programa Domingo Legal do SBT, sobre o rompimento da parceria com Fredson (ex-empresário) e também sobre o processo judicial em relação aos direitos de exploração da marca/nome "Marreta". Veja:
Ozildo Alves - Você hoje é membro da Igreja Canaã. Poderia ser uma ambigüidade, hoje evangélico, porém, você continua com a banda de pagode Marreta é Massa? O que falar para as pessoas que gostam de você e não entendem muito bem essa relação?
André Marreta – Quando você escolhe a opção de ser evangélico ou não, você tem que pedir discernimento a Deus. O meu coração hoje está aberto para ele fazer o que ele quiser. Se amanhã eu acordar e ele tocar no meu coração pra que eu não cante mais, não devo estar na banda, eu automaticamente sairei de cabeça erguida, porém eu creio que ele ainda ta me deixando cantar. Quando eu aceitei Jesus, o pastor disse que não seria ele o responsável por me fazer parar de cantar; não seria padre, pastor, ninguém! Se fosse da vontade de Deus, eu logo tentaria outros planos, com o que o tenho que é de montar uma banda evangélica depois do carnaval, mas isso não quer dizer que eu vá largar ou não; pode ocorrer, mas de forma gradativa. Tem muita gente que diz ter aceito Jesus, faz mudanças radicais e possivelmente muitas dessas pessoas se tornam frustradas, porque queriam fazer uma coisa, só que a direção de Deus foi outra... Então cabe a sua necessidade. Se eu chegar e dizer que hoje eu não quero fazer televisão, eu seria hipócrita, seria uma pessoa que não estaria de acordo com os meus padrões. Eu penso desse jeito sim, só que eu sinto muita vontade de estar na igreja, eu sou feliz assim. Se eu não estivesse entregue ao meu Deus, eu hoje era uma pessoa frustrada por tudo que aconteceu nessa última semana.
Ozildo Alves - Você tem influenciado muitas pessoas próximas de você?
André Marreta - Sim tenho. O meu testemunho é da minha vida. Eu não quero ser um evangélico chato, que pega pelo braço, quer levar... Não, eu digo, ‘Deus está lhe esperando’. Na palavra dele diz, ‘Eis que estou na tua porta e bato; se abri entrarei, ficarei com você e você comigo’. As coisas de Deus são tão simples, mas o simples também é complicado. Pelo fato de ser simples você tem que tomar uma direção. Hoje eu não canto música de duplo sentido, não sinto mais vontade de estar nas festas, nem beber... Isso não está sendo porque eu tenho que fazer moral com minha pastora, com meu pastor, minha esposa, nem com os meus amigos. Não, é a minha vida. A palavra de Deus é uma coisa linda, boa, uma coisa de amigo, onde você passa uma mensagem de prosperidade. A palavra dele renova a cada momento, nunca volta vazia.
Ozildo Alves - Em seus shows você tem cantado músicas evangélicas?
André Marreta - Sim. Canto Régis Danese, Lázaro... Essa semana que cantei nos Jardins, uma boate que fica em Recife, no final dos meus shows eu sempre prego Isaias, Lucas, Mateus e oro. Naquele momento eu estava orando na boate e tinha pessoas com copo de bebidas na mão. Quando eu terminei de orar, vi que não tinha mais copo na mão de ninguém. Teve um respeito das pessoas naquele momento com a palavra de Deus. Todos levantaram as mãos, bateram palma pra Jesus e eu disse assim, ‘olha meu querido, o seu dinheiro não é tudo, o que te levanta é Jesus. Você pensa que é algum rádio que te levanta, um despertador, alguma pessoa que pega em você? Não, o que te levanta é Jesus e se for da vontade dele, nem da cama você levanta’.
Ozildo Alves - E você falou que não canta mais músicas de duplo sentido?...
André Marreta - Sim, não pelo fato d’eu ser evangélico. Eu tenho uma filha de cinco anos e tudo que eu faço a minha filha faz. Por exemplo, eu canto uma música com ela, “ABC” e ela chega na escola cantando, eu canto a “Santinha” e ela chega em casa cantando.
Ozildo Alves - E nem por isso você deixou de ter mais fãs?
André Marreta - Não, muito pelo contrário, estou tendo muito mais. Hoje eu saio de cima de um trio, de um arrastão de três mil pessoas que compraram a nossa camisa, termino o show e começo a falar de Deus pro dono do bloco, para a equipe... Uma vez o rapaz veio me agradecer pelo show e eu disse, ‘não agradeça a minha, procure uma igreja e agradece a Deus por tudo que você viu aqui’.
Ozildo Alves - Mas nenhum produtor implicou com você por esse seu lado religioso?
André Marreta - Não. Eu creio que se Deus não me quisesse ver mais cantando ele tinha fechado já todas as portas. E muito pelo contrário, ele ta abrindo as portas do céu, derramando bênçãos sem medidas na minha vida. A agenda está lotada e eu creio que isso está acontecendo pelos dízimos e pelas ofertas, pois diz a palavras, ‘se você dizimar e ofertar as portas do céu se abrirá e derramará bênçãos na vida’. E ta acontecendo isso comigo.
Ozildo Alves - E a expectativa era muito grande para a sua aparição no Domingo Legal, muito gente ficou ligada, mas de repente você não apareceu. O que houve realmente sobre esse adiamento da sua apresentação?
André Marreta - Eu estava com as passagens prontas nas mãos para poder viajar para São Paulo, tão feliz... É isso que eu digo, se você não tiver Deus na sua vida, você cai. Porque se eu não tivesse Deus comigo hoje, eu era um cara frustado, pelo fato de ter sido uma coisa muito importante que aconteceu. Só que daí liga a moça que reservou as passagens para Natal, onde íamos tocar lá também, e disse que não tinha encontrado passagens para Natal. Nessa hora, o assessor da gente que tava em Recife, chegou e disse que era pra eu escolher entre cancelar a apresentação do programa ou cancelar o show na festa em Natal, que já tinha dois meses de planejado e o Domingo Legal apareceu de repente. Então cancelei o programa, afinal tenho que honrar essa pessoa que ta me contratando, pois lá na frente se eu não honrá-lo, Deus vai tirar muito de mim e eu não sou essa pessoa que tem que aparecer de qualquer maneira. Não!... Tudo é plano de Deus. Quando foi mais tarde, sábado á noite quando eu estava em Recife, onde faria um show, o contratante de Natal liga, avisando que a festa tava cancelada. Digo que isso é coisa de Deus, pois o meu Domingo Legal foi dentro da igreja, orando e agradecendo. Deus tirou do lugar que eu estava e disse, ‘venha, seu lugar é aqui, hoje eu quero você aqui’. Para nós que somos evangélicos, tudo que acontece é obra de Deus e tudo que não acontece também. Hoje se eu não tivesse o entendimento da palavra eu me revoltava. É tanto que se eu não tivesse Deus comigo, eu tinha cancelado a festa de Natal, que já está com uma nova data, assim como a apresentação no Domingo Legal, que acontece no final deste mês. Iremos ter essa outra oportunidade, mas se não acontecer é que Deus não quer.
Ozildo Alves - Como está a sua relação com Fredson e essa questão de ter duas bandas com o nome Marreta? Como está lhe dando com isso?
André Marreta - Não tá. Acima de tudo a amizade é tudo nessa vida. Uma vez eu cheguei pra Fredson e disse que negócio é negócio e que a sociedade pode até terminar, mas amizade continua. Só que ele disse que não, que a amizade não ia continuar. Eu cheguei pra ele como homem de Deus, pois independente de qualquer coisa, esse mundo não tem nada a oferecer pra gente de eterno, só quem tem é o Pai.
Ozildo Alves - Você chegou ao ponto de dizer que não dava mais pra continuar com a parceria, correto?
André Marreta - Foi. Eu disse que não dava mais, que estava querendo alcançar outros níveis. Só que não esperava essa reação dele... A partir do momento que eu sai dessa parceria, a banda ta bem melhor. Ta todo mundo comigo, todos os componentes estão me acompanhando...
Ozildo Alves - Você guarda mágoas, você acha que ele tem alguma mágoa com você?
André Marreta - Ele pode ter alguma mágoa comigo, mas eu não tenho. Como um homem de Deus eu não guardo mágoas. Eu não me arrependo disso. Claro, Fredson foi muito importante na minha carreira, agradeço a família dele de uma maneira estupenda, foi uma pessoa que me ajudou muito. Ele sabe que eu não cuspi no prato que comi, que eu nunca fui de fazer isso, mas a banda já não tava rendendo quanto poderia render. As coisas estavam vazias, não tinha ânimo pra continuar. Marreta agora está no meu nome, que ficou como André Luís Marreta Oliveira da Silva, mas ainda corre um processo na justiça. O juiz assinou embaixo, eu dei ao advogado alguns documentos que ele tava precisando, pra acabar com isso, pois ta sendo chato pra mim.